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Consulta do Viajante: Como Preparar a Sua Saúde Antes de Viajar

Introdução

Viajar é uma das melhores formas de conhecer novos lugares, descansar, trabalhar ou visitar familiares. No entanto, cada destino pode trazer riscos específicos para a saúde, que variam conforme o país, a região, a época do ano, a duração da estadia e o tipo de atividades previstas.

A consulta do viajante ajuda a preparar a viagem de forma segura, através de uma avaliação individualizada. Não serve apenas para administrar vacinas: permite identificar riscos, planear medidas preventivas, rever medicação habitual e esclarecer dúvidas importantes antes da partida.

Preparar a saúde antes de viajar é tão importante como tratar dos documentos, voos ou alojamento.

Por Paulo Pacheco (Farmacêutico)

Editado a 2026-06-15

Consulta do Viajante: Como Preparar a Sua Saúde Antes de Viajar

Consulta do Viajante: Como Preparar a Sua Saúde Antes de Viajar

Introdução

Viajar é uma das melhores formas de conhecer novos lugares, descansar, trabalhar ou visitar familiares. No entanto, cada destino pode trazer riscos específicos para a saúde, que variam conforme o país, a região, a época do ano, a duração da estadia e o tipo de atividades previstas.

A consulta do viajante ajuda a preparar a viagem de forma segura, através de uma avaliação individualizada. Não serve apenas para administrar vacinas: permite identificar riscos, planear medidas preventivas, rever medicação habitual e esclarecer dúvidas importantes antes da partida.

Preparar a saúde antes de viajar é tão importante como tratar dos documentos, voos ou alojamento.

Por Paulo Pacheco (Farmacêutico)

Editado a 2026-06-15


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O que é a consulta do viajante?

A consulta do viajante é uma consulta médica dirigida a pessoas que vão viajar, sobretudo para destinos onde existam riscos de saúde diferentes dos habituais em Portugal.

Durante a consulta são avaliados vários fatores:

  • destino e itinerário;
  • duração da viagem;
  • época do ano;
  • tipo de alojamento;
  • motivo da viagem;
  • atividades previstas;
  • idade do viajante;
  • estado de saúde;
  • doenças crónicas;
  • gravidez ou amamentação;
  • medicação habitual;
  • histórico de vacinação;
  • risco de contacto com mosquitos, alimentos, água, animais ou ambientes específicos.

Com base nesta avaliação, podem ser recomendadas vacinas, medicamentos preventivos, cuidados alimentares, proteção contra insetos e medidas para reduzir o risco de doenças ou acidentes.


Quando deve marcar a consulta?

Idealmente, a consulta do viajante deve ser marcada 4 a 8 semanas antes da partida. Este período permite avaliar o risco com tempo, administrar vacinas que necessitam de vários dias ou semanas para conferir proteção e iniciar medicação preventiva quando necessário.

Mesmo que a viagem esteja próxima, ainda pode ser útil procurar aconselhamento. Algumas medidas podem ser tomadas poucos dias antes da partida e continuam a ser importantes.

Em Portugal, a consulta do viajante pode ser realizada em unidades do Serviço Nacional de Saúde, centros de vacinação internacional e unidades privadas com esta valência. Em alguns casos, é necessária marcação prévia.


Vacinas: cada destino exige uma avaliação própria

Nem todas as viagens exigem vacinas adicionais. As recomendações dependem do destino, das condições locais e do perfil do viajante.

A consulta do viajante permite confirmar se o Plano Nacional de Vacinação está atualizado e avaliar vacinas específicas para a viagem.

Entre as vacinas que podem ser consideradas estão:

  • hepatite A;
  • hepatite B;
  • febre tifoide;
  • febre amarela;
  • raiva;
  • encefalite japonesa;
  • meningite meningocócica;
  • poliomielite;
  • tétano, difteria e tosse convulsa;
  • sarampo, papeira e rubéola;
  • gripe;
  • COVID-19, conforme recomendações atualizadas.

A vacina contra a febre amarela merece atenção especial. Em alguns países, pode ser exigido o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia para entrada. Esta vacina deve ser administrada em centros autorizados e, quando aplicável, deve ser feita com antecedência suficiente antes da viagem.


Malária e doenças transmitidas por mosquitos

Em alguns destinos existe risco de malária. Nestes casos, o médico pode recomendar medicação preventiva, também conhecida como quimioprofilaxia antimalárica.

A escolha do medicamento depende de vários fatores:

  • país e região visitada;
  • resistência local aos antimaláricos;
  • duração da estadia;
  • idade;
  • gravidez;
  • doenças pré-existentes;
  • medicação habitual;
  • possíveis interações e efeitos adversos.

Além da malária, os mosquitos podem transmitir outras infeções, como dengue, chikungunya, Zika, febre amarela e encefalite japonesa. Para muitas destas doenças, a prevenção depende sobretudo da proteção contra picadas.

Medidas úteis incluem:

  • usar repelente adequado;
  • reaplicar o repelente conforme indicado na embalagem;
  • usar roupa leve, comprida e de cor clara;
  • dormir em locais com rede mosquiteira ou ar condicionado;
  • evitar zonas com água parada;
  • reforçar a proteção nas horas de maior atividade dos mosquitos.

Diarreia do viajante: uma das situações mais frequentes

A diarreia do viajante é uma das queixas mais comuns durante viagens internacionais. Pode surgir por ingestão de água ou alimentos contaminados, sobretudo em locais onde as condições de higiene e saneamento são diferentes das habituais.

Para reduzir o risco:

  • beber água engarrafada ou tratada;
  • evitar gelo de origem desconhecida;
  • evitar alimentos crus mal lavados;
  • preferir comida bem cozinhada e servida quente;
  • lavar as mãos com frequência;
  • usar solução alcoólica quando não houver água e sabão;
  • ter cuidado com comida de rua, marisco cru e buffets.

A consulta do viajante pode ajudar a preparar um pequeno kit gastrointestinal, incluindo soluções de reidratação oral e medicação adequada. Antibióticos ou outros medicamentos específicos só devem ser usados quando indicados por um profissional de saúde.


Medicação habitual: cuidados antes de viajar

Quem toma medicação regularmente deve planear a viagem com antecedência.

Recomendações importantes:

  • levar medicação suficiente para toda a viagem e alguns dias extra;
  • transportar os medicamentos na bagagem de mão;
  • manter os medicamentos nas embalagens originais;
  • levar receita médica ou declaração, se necessário;
  • verificar regras do país de destino para medicamentos controlados;
  • confirmar condições de conservação, especialmente em medicamentos que exigem frio;
  • adaptar horários da medicação em viagens com grande diferença horária.

Este cuidado é particularmente importante em pessoas com diabetes, doença cardiovascular, asma, epilepsia, doença autoimune, doença psiquiátrica ou outras doenças crónicas.


Crianças, grávidas e pessoas com doenças crónicas

Nem todos os viajantes têm o mesmo risco.

Crianças, grávidas, idosos, pessoas imunodeprimidas e pessoas com doenças crónicas devem receber aconselhamento individualizado. Algumas vacinas podem não estar indicadas em determinadas situações, e alguns medicamentos preventivos podem exigir precauções adicionais.

Nestes casos, a consulta do viajante é especialmente importante para equilibrar os benefícios da viagem com a segurança das medidas preventivas.


Outros riscos muitas vezes esquecidos

A consulta do viajante não serve apenas para falar de infeções. Muitos problemas de saúde em viagem estão relacionados com acidentes, clima, altitude, água, animais ou comportamentos de risco.

Devem ser considerados:

  • segurança rodoviária;
  • uso de capacete em motas ou bicicletas;
  • risco de mordeduras de animais;
  • exposição solar intensa;
  • calor extremo e desidratação;
  • altitude;
  • mergulho;
  • contacto com água doce em zonas de risco;
  • consumo de álcool ou substâncias;
  • saúde sexual e prevenção de infeções sexualmente transmissíveis.

Em alguns destinos, a raiva é uma preocupação importante. Deve evitar tocar em animais desconhecidos, mesmo que pareçam dóceis.


Seguro de viagem e acesso a cuidados de saúde

Antes de viajar, deve confirmar se tem cobertura adequada em caso de doença ou acidente.

Dentro da União Europeia e em alguns países associados, o Cartão Europeu de Seguro de Doença pode facilitar o acesso a cuidados de saúde públicos nas condições previstas. No entanto, não substitui necessariamente um seguro de viagem, sobretudo quando há necessidade de cuidados privados, repatriamento, cancelamento de viagem ou assistência mais alargada.

Para destinos fora da Europa, um seguro de viagem adequado é especialmente importante.


O que levar num kit de saúde para viagem?

O conteúdo do kit depende do destino, duração da viagem e características do viajante. Ainda assim, pode incluir:

  • medicação habitual;
  • analgésico e antipirético;
  • soluções de reidratação oral;
  • antidiarreico, quando adequado;
  • repelente de insetos;
  • protetor solar;
  • produtos para queimaduras solares;
  • material simples de penso;
  • desinfetante cutâneo;
  • termómetro;
  • preservativos;
  • medicação preventiva prescrita na consulta, quando aplicável.

A farmácia pode ajudar a adaptar este kit às necessidades individuais e ao destino.


Depois da viagem: quando procurar ajuda?

Alguns sintomas podem surgir apenas após o regresso.

Deve procurar avaliação médica se, depois de viajar, tiver:

  • febre;
  • diarreia persistente;
  • vómitos;
  • erupções cutâneas;
  • icterícia;
  • tosse persistente;
  • perda de peso inexplicada;
  • feridas que não cicatrizam;
  • sintomas após contacto com animais;
  • mal-estar importante após estadia em zona tropical.

A febre após viagem para uma zona com malária deve ser sempre valorizada e avaliada rapidamente.


Conclusão

A consulta do viajante é muito mais do que uma consulta de vacinação. É uma avaliação personalizada que permite antecipar riscos, prevenir doenças e viajar com maior segurança.

Cada destino tem riscos próprios e cada viajante tem necessidades diferentes. Por isso, preparar a saúde antes da partida deve fazer parte do planeamento de qualquer viagem.

Viajar bem começa antes de sair de casa.


Fontes

Este artigo baseia-se em recomendações e informação atualizada de entidades nacionais e internacionais como World Health Organization (WHO), Centers for Disease Control and Prevention (CDC Travelers’ Health), European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), Serviço Nacional de Saúde (SNS/SNS24) e literatura médica sobre medicina do viajante, vacinação internacional, prevenção da malária e saúde em viagem.

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