Proteção Solar Sem Falsas Sensações de Segurança: O Que Deve Mesmo Saber
A maioria das pessoas acredita que sabe proteger-se do sol. Usa protetor na praia, evita as horas de maior calor e reaplica “quando se lembra”. No entanto, segundo dados da World Health Organization (WHO) e da European Academy of Dermatology and Venereology (EADV), muitos casos de cancro da pele continuam associados a erros simples e repetidos ao longo da vida.
A radiação ultravioleta (UV) é cumulativa — o dano de hoje soma-se ao de ontem. E muitas vezes estamos expostos sem nos apercebermos.
Este artigo explica, de forma clara e baseada na evidência científica, o que significa realmente estar protegido.
Por Paulo Pacheco
Editado a 2026-02-24
Proteção Solar Sem Falsas Sensações de Segurança: O Que Deve Mesmo Saber
A maioria das pessoas acredita que sabe proteger-se do sol. Usa protetor na praia, evita as horas de maior calor e reaplica “quando se lembra”. No entanto, segundo dados da World Health Organization (WHO) e da European Academy of Dermatology and Venereology (EADV), muitos casos de cancro da pele continuam associados a erros simples e repetidos ao longo da vida.
A radiação ultravioleta (UV) é cumulativa — o dano de hoje soma-se ao de ontem. E muitas vezes estamos expostos sem nos apercebermos.
Este artigo explica, de forma clara e baseada na evidência científica, o que significa realmente estar protegido.
Por Paulo Pacheco
Editado a 2026-02-24
O que é que o sol faz à pele?
A radiação UV divide-se essencialmente em dois tipos relevantes:
-
UVB – principal responsável pelas queimaduras solares.
-
UVA – penetra mais profundamente na pele, acelera o envelhecimento e contribui para alterações celulares associadas ao cancro cutâneo.
Um ponto importante:
A radiação UVA está presente todo o ano, atravessa nuvens e até vidro. Ou seja, pode haver exposição relevante mesmo sem sensação de calor ou sol intenso.
SPF: o que significa realmente?
O SPF (Sun Protection Factor) mede a proteção contra UVB — não contra UVA.
De acordo com recomendações internacionais:
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SPF 30 é o mínimo recomendado para proteção adequada
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SPF 50 é preferível em exposição intensa ou prolongada
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Deve ser sempre de largo espectro (UVA + UVB)
Em termos práticos:
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SPF 30 bloqueia cerca de 97% da radiação UVB
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SPF 50 bloqueia cerca de 98%
A diferença parece pequena, mas SPF 50 oferece maior margem de segurança, especialmente porque a maioria das pessoas aplica menos produto do que o necessário.
Os erros mais comuns na proteção solar
“Está nublado, não preciso.”
Até 80% da radiação UV pode atravessar as nuvens.
A temperatura e a luminosidade não refletem necessariamente o risco.
“Só vou estar ao sol uns minutos.”
O dano solar é cumulativo.
Pequenas exposições diárias — conduzir, caminhar, almoçar ao ar livre — somam-se ao longo dos anos.
É por isso que o uso diário de protetor nas áreas expostas (rosto, pescoço, mãos) é recomendado.
“Dentro de água estou protegido.”
A radiação UV penetra na água.
Além disso, a água e a areia refletem radiação, aumentando a exposição indireta.
Mesmo protetores “resistentes à água” devem ser reaplicados após banho.
“Já apliquei de manhã.”
O protetor degrada-se com:
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Transpiração
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Fricção da roupa
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Contacto com toalhas
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Produção natural de sebo
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Exposição solar prolongada
A recomendação é reaplicar a cada 2 horas em exposição contínua.
“O meu creme hidratante com SPF chega.”
Depende.
Muitos hidratantes têm SPF 15 ou 20, que pode ser insuficiente em exposição solar direta.
Para o rosto:
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Preferencialmente SPF 50
-
Aplicado em quantidade adequada
-
De largo espectro
Além disso, a quantidade faz diferença: aplicar pouco produto reduz significativamente a proteção real.
“Estou bronzeado, já não preciso.”
O bronzeado é uma resposta de defesa da pele após agressão UV.
Não substitui a proteção solar.
Mesmo peles mais morenas podem desenvolver cancro cutâneo e envelhecimento precoce.
Quanto protetor deve aplicar?
Para atingir o fator indicado na embalagem:
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Cerca de 2 mg por cm²
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Aproximadamente uma mão cheia para cobertura corporal total
A maioria das pessoas aplica metade desta quantidade — o que pode reduzir o SPF efetivo para valores muito inferiores.
Crianças e proteção reforçada
A pele infantil é mais sensível à radiação UV.
A WHO e a EADV recomendam:
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SPF 50+
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Roupa protetora
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Chapéu de abas largas
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Óculos com proteção UV
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Evitar exposição nas horas de maior intensidade solar (aproximadamente entre as 11h e as 16h)
Queimaduras solares na infância aumentam o risco de melanoma na idade adulta.
A proteção solar é apenas parte da estratégia
As recomendações internacionais são claras: o protetor solar não deve ser usado para prolongar a exposição ao sol.
A estratégia ideal inclui:
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Procurar sombra
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Ajustar horários
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Usar roupa adequada
-
Monitorizar o Índice UV
Conclusão
A sensação de estar protegido pode ser enganadora.
A radiação UV é silenciosa, cumulativa e atua mesmo quando não sentimos calor.
Proteger a pele não é exagero — é prevenção baseada na evidência.
Cuidar hoje reduz risco amanhã.
Fontes
Este artigo baseia-se em recomendações e evidência científica de entidades internacionais como a World Health Organization (WHO), European Academy of Dermatology and Venereology (EADV), International Agency for Research on Cancer (IARC), American Academy of Dermatology (AAD) e estudos publicados em revistas científicas como Journal of the American Academy of Dermatology (JAAD), The Lancet Oncology e British Journal of Dermatology.