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Gastroenterite em Férias: Como Prevenir, Tratar e Saber Quando Procurar Ajuda

Introdução

As férias são sinónimo de descanso, viagens, refeições fora, praia, piscina e mudança de rotinas. No entanto, também podem ser uma altura em que surgem problemas gastrointestinais, como diarreia, náuseas, vómitos, cólicas abdominais, febre e mal-estar geral.

A gastroenterite é uma irritação e inflamação aguda do tubo digestivo, sobretudo do estômago e do intestino. Pode ser provocada por vírus, bactérias, parasitas ou toxinas presentes em alimentos ou água contaminados.

Na maioria dos casos, é uma doença ligeira e autolimitada, que melhora em poucos dias com hidratação, repouso e cuidados alimentares. Ainda assim, pode tornar-se mais preocupante quando há sinais de desidratação, sintomas persistentes ou quando afeta bebés, crianças pequenas, idosos, grávidas, pessoas imunodeprimidas ou pessoas com doenças crónicas.

Saber o que fazer, o que evitar e quando procurar ajuda médica pode fazer toda a diferença, especialmente durante as férias.

Por Paulo Pacheco (Farmacêutico)

Editado a 2026-07-08

Gastroenterite em Férias: Como Prevenir, Tratar e Saber Quando Procurar Ajuda

Gastroenterite em Férias: Como Prevenir, Tratar e Saber Quando Procurar Ajuda

Introdução

As férias são sinónimo de descanso, viagens, refeições fora, praia, piscina e mudança de rotinas. No entanto, também podem ser uma altura em que surgem problemas gastrointestinais, como diarreia, náuseas, vómitos, cólicas abdominais, febre e mal-estar geral.

A gastroenterite é uma irritação e inflamação aguda do tubo digestivo, sobretudo do estômago e do intestino. Pode ser provocada por vírus, bactérias, parasitas ou toxinas presentes em alimentos ou água contaminados.

Na maioria dos casos, é uma doença ligeira e autolimitada, que melhora em poucos dias com hidratação, repouso e cuidados alimentares. Ainda assim, pode tornar-se mais preocupante quando há sinais de desidratação, sintomas persistentes ou quando afeta bebés, crianças pequenas, idosos, grávidas, pessoas imunodeprimidas ou pessoas com doenças crónicas.

Saber o que fazer, o que evitar e quando procurar ajuda médica pode fazer toda a diferença, especialmente durante as férias.

Por Paulo Pacheco (Farmacêutico)

Editado a 2026-07-08


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Porque é que a gastroenterite pode ser mais frequente nas férias?

Durante as férias, há vários fatores que podem aumentar o risco de infeções gastrointestinais ou intoxicações alimentares.

Entre os mais comuns estão:

  • refeições fora de casa com maior frequência;
  • consumo de alimentos crus, mal lavados ou mal cozinhados;
  • marisco, peixe, carne ou ovos mal conservados;
  • buffets onde os alimentos ficam expostos durante muito tempo;
  • gelo feito com água de origem desconhecida;
  • água não potável ou mal tratada;
  • contacto próximo com outras pessoas em hotéis, cruzeiros, piscinas, transportes ou alojamentos partilhados;
  • menor frequência de lavagem das mãos;
  • calor, que favorece a multiplicação de microrganismos nos alimentos;
  • viagens para países com condições de higiene e saneamento diferentes das habituais.

Em viagens internacionais, a chamada diarreia do viajante é uma das doenças associadas à viagem mais frequentes. Pode ocorrer em qualquer destino, mas o risco é maior em locais onde a segurança da água e dos alimentos é mais variável.


Quais são os principais sintomas?

A gastroenterite pode manifestar-se de forma diferente de pessoa para pessoa. Os sintomas mais comuns incluem:

  • diarreia;
  • náuseas;
  • vómitos;
  • dor ou cólicas abdominais;
  • perda de apetite;
  • mal-estar geral;
  • febre;
  • dores musculares;
  • cansaço;
  • sinais de desidratação.

Os sintomas podem começar poucas horas após uma refeição contaminada, sobretudo quando estão envolvidas toxinas alimentares, ou surgir um a vários dias depois, quando a causa é uma infeção viral, bacteriana ou parasitária.

Na maioria dos casos, os vómitos melhoram em 1 a 2 dias e a diarreia tende a resolver gradualmente ao longo de alguns dias. Se os sintomas persistirem, agravarem ou forem acompanhados de sinais de alerta, deve procurar aconselhamento médico.


O maior risco: a desidratação

O principal perigo da gastroenterite é a perda excessiva de água e sais minerais através da diarreia, dos vómitos e da febre.

A desidratação pode surgir mais rapidamente em:

  • bebés;
  • crianças pequenas;
  • idosos;
  • grávidas;
  • pessoas com diabetes;
  • pessoas com doença renal, cardíaca ou intestinal;
  • pessoas imunodeprimidas;
  • pessoas que tomam diuréticos ou alguns medicamentos para a tensão arterial.

Sinais de desidratação incluem:

  • sede intensa;
  • boca e língua secas;
  • urina escura ou em pouca quantidade;
  • tonturas;
  • fraqueza;
  • sonolência;
  • olhos encovados;
  • pele seca;
  • irritabilidade ou prostração;
  • choro sem lágrimas em crianças;
  • menos fraldas molhadas nos bebés.

Nestes casos, a reposição de líquidos deve ser iniciada o mais cedo possível.


O que fazer nas primeiras horas?

Nas primeiras horas, o objetivo principal não é “parar” imediatamente a diarreia ou os vómitos, mas sim prevenir a desidratação e permitir que o organismo recupere.

Medidas importantes:

  • beber líquidos em pequenos goles, com frequência;
  • usar soluções de reidratação oral, sobretudo se houver muitas perdas;
  • descansar;
  • evitar álcool;
  • evitar bebidas muito açucaradas;
  • evitar refeições pesadas, gordurosas ou picantes;
  • retomar a alimentação de forma gradual;
  • manter a medicação habitual, salvo indicação médica em contrário.

Se houver vómitos, é preferível beber pequenas quantidades de cada vez, por exemplo alguns goles a cada 5 a 10 minutos, em vez de tentar beber muito de uma só vez.


Soluções de reidratação oral: quando usar?

As soluções de reidratação oral são uma das medidas mais importantes no tratamento da gastroenterite, sobretudo quando há diarreia intensa, vómitos repetidos, febre ou maior risco de desidratação.

Estas soluções contêm uma proporção adequada de água, sais minerais e glucose, ajudando o organismo a repor líquidos de forma mais eficaz.

Podem ser especialmente úteis em:

  • crianças;
  • idosos;
  • pessoas frágeis;
  • episódios com várias dejeções líquidas;
  • vómitos repetidos;
  • viagens para destinos quentes;
  • situações em que há sinais iniciais de desidratação.

Devem ser preparadas de acordo com as instruções da embalagem. Se estiver em viagem e a água local não for segura, deve usar água engarrafada, fervida ou devidamente tratada para preparar a solução.

Bebidas desportivas, refrigerantes, sumos ou bebidas energéticas não substituem uma solução de reidratação oral, porque podem ter excesso de açúcar e uma composição inadequada de sais minerais.


O que comer durante uma gastroenterite?

Durante muitos anos recomendou-se uma dieta muito restritiva. Hoje, a orientação é mais simples: comer quando houver apetite, em pequenas quantidades, escolhendo alimentos leves e bem tolerados.

Podem ser boas opções:

  • arroz;
  • batata cozida;
  • massa simples;
  • pão torrado;
  • banana;
  • maçã cozida ou em puré;
  • sopa simples;
  • cenoura cozida;
  • frango cozido ou grelhado;
  • bolachas simples.

Deve evitar temporariamente:

  • álcool;
  • fritos;
  • alimentos muito gordurosos;
  • comida picante;
  • grandes quantidades de lacticínios, se agravarem os sintomas;
  • bebidas gaseificadas;
  • sumos muito açucarados;
  • refeições muito abundantes.

Nos bebés amamentados, a amamentação deve ser mantida. Nos bebés alimentados com fórmula, a alimentação deve continuar de acordo com a orientação habitual, salvo indicação médica.


Medicamentos: o que pode ou não fazer sentido?

A medicação deve ser escolhida com cautela, sobretudo em crianças, idosos, grávidas e pessoas com doenças crónicas.

Paracetamol

O paracetamol pode ser usado para febre ou dor, desde que respeitadas as doses adequadas à idade e ao peso.

Deve ter especial cuidado se houver vómitos persistentes, doença hepática, consumo de álcool ou uso de outros medicamentos que também contenham paracetamol.

Antidiarreicos

Medicamentos como a loperamida podem reduzir a frequência das dejeções e ser úteis em adultos em situações específicas, por exemplo durante uma viagem longa de avião, autocarro ou carro.

No entanto, não devem ser usados se houver:

  • sangue nas fezes;
  • febre alta;
  • suspeita de infeção invasiva;
  • dor abdominal intensa;
  • agravamento do estado geral.

Também não devem ser usados em crianças sem indicação médica.

Antibióticos

A maioria das gastroenterites é viral ou autolimitada, pelo que os antibióticos não são necessários.

Em contexto de diarreia do viajante, podem estar indicados em casos selecionados, especialmente quando a diarreia é grave, febril, com sangue ou incapacitante.

Os antibióticos devem ser usados apenas por indicação médica, porque a escolha depende do destino, da causa provável, da resistência bacteriana local, da idade, da gravidez, das doenças existentes e de possíveis interações medicamentosas.

Antieméticos

Medicamentos para os vómitos podem ser úteis em alguns casos, mas devem ser usados com orientação profissional, especialmente em crianças, grávidas, idosos ou pessoas com outras doenças.

Probióticos

Alguns probióticos podem ajudar a reduzir a duração da diarreia em determinadas situações, mas o benefício depende da estirpe, da dose e do contexto.

Não substituem a hidratação e devem ser escolhidos com aconselhamento adequado.


Gastroenterite ou intoxicação alimentar?

Gastroenterite e intoxicação alimentar não são exatamente a mesma coisa, embora possam causar sintomas muito semelhantes.

A gastroenterite é o quadro gastrointestinal, com irritação e inflamação do estômago e/ou intestino, que pode provocar diarreia, náuseas, vómitos, cólicas abdominais, febre e mal-estar.

A intoxicação alimentar é uma das causas possíveis de gastroenterite. Acontece quando os sintomas surgem após ingestão de alimentos ou água contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou toxinas produzidas por estes microrganismos.

Na prática, pode ser difícil distinguir as duas apenas pelos sintomas. A intoxicação alimentar pode surgir poucas horas após uma refeição contaminada, sobretudo quando há toxinas envolvidas. A gastroenterite viral, por outro lado, pode transmitir-se facilmente de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes fechados ou com grande proximidade, como hotéis, cruzeiros, escolas, infantários ou casas de férias.

Em ambos os casos, o mais importante é hidratar, vigiar a evolução dos sintomas, evitar transmitir a infeção a outras pessoas e procurar ajuda médica se surgirem sinais de alerta.


Como evitar contagiar outras pessoas?

Muitas gastroenterites são contagiosas. Por isso, é importante reduzir o risco de transmissão, especialmente em família, alojamentos partilhados, hotéis ou casas de férias.

Medidas úteis:

  • lavar as mãos frequentemente com água e sabão;
  • lavar as mãos depois de ir à casa de banho e antes de comer;
  • evitar preparar comida para outras pessoas enquanto houver sintomas;
  • limpar e desinfetar superfícies da casa de banho;
  • não partilhar toalhas, talheres ou copos;
  • lavar roupa suja com vómito ou fezes separadamente;
  • evitar piscinas enquanto houver diarreia;
  • manter maior cuidado durante pelo menos 48 horas após o fim dos sintomas.

O desinfetante alcoólico pode ser útil quando não há água e sabão, mas não substitui uma boa lavagem das mãos, especialmente quando há suspeita de gastroenterite viral, como a causada por norovírus.


Como prevenir gastroenterite em férias?

A prevenção começa nos pequenos hábitos.

Cuidados com alimentos

  • preferir alimentos bem cozinhados e servidos quentes;
  • evitar alimentos crus de origem duvidosa;
  • ter cuidado com marisco cru ou mal cozinhado;
  • evitar buffets onde a comida parece estar há muito tempo exposta;
  • descascar fruta sempre que possível;
  • evitar saladas lavadas com água não segura;
  • escolher locais com boas condições de higiene.

Cuidados com água e bebidas

  • beber água engarrafada ou tratada;
  • confirmar se a garrafa está selada;
  • evitar gelo de origem desconhecida;
  • usar água segura para lavar os dentes em destinos de maior risco;
  • evitar bebidas preparadas com água não segura.

Cuidados com higiene

  • lavar as mãos com água e sabão;
  • usar solução alcoólica quando não for possível lavar as mãos;
  • evitar tocar na boca com as mãos sujas;
  • ter toalhitas ou gel desinfetante na mala;
  • ensinar as crianças a lavar as mãos antes de comer.

O que levar na mala?

Para férias, especialmente com crianças ou viagens para destinos quentes, pode ser útil preparar um pequeno kit.

Pode incluir:

  • soluções de reidratação oral;
  • termómetro;
  • paracetamol;
  • antidiarreico, se adequado para o adulto e após aconselhamento;
  • probiótico, se recomendado;
  • desinfetante de mãos;
  • toalhitas;
  • medicação habitual;
  • receita ou declaração médica, se necessário;
  • contactos de emergência e seguro de viagem;
  • Cartão Europeu de Seguro de Doença, se viajar na União Europeia ou em países abrangidos.

A farmácia pode ajudar a adaptar o kit ao destino, idade dos viajantes, doenças existentes e duração da viagem.


Quando deve consultar um médico?

Deve procurar aconselhamento médico se houver:

  • sinais de desidratação;
  • vómitos persistentes que impedem a ingestão de líquidos;
  • diarreia com sangue;
  • fezes negras ou muito escuras;
  • febre alta ou persistente;
  • dor abdominal intensa ou localizada;
  • prostração, confusão ou sonolência marcada;
  • diarreia que dura mais de 7 dias;
  • vómitos que duram mais de 2 dias;
  • sintomas em bebés com menos de 12 meses;
  • sintomas em grávidas, idosos ou pessoas imunodeprimidas;
  • agravamento progressivo apesar dos cuidados;
  • sintomas após viagem para país tropical ou zona de maior risco;
  • suspeita de intoxicação alimentar coletiva.

Em Portugal, pode contactar o SNS 24 através do 808 24 24 24 para orientação. Em caso de sinais graves, deve recorrer a assistência médica urgente.


Gastroenterite em crianças: atenção redobrada

Nas crianças, a desidratação pode surgir mais rapidamente. É importante observar o comportamento, a ingestão de líquidos e a frequência da urina.

Sinais de alerta em crianças incluem:

  • menos fraldas molhadas;
  • choro sem lágrimas;
  • boca seca;
  • olhos encovados;
  • sonolência anormal;
  • irritabilidade intensa;
  • recusa alimentar persistente;
  • vómitos repetidos;
  • sangue nas fezes;
  • febre elevada;
  • dor abdominal intensa.

Não deve administrar medicamentos para parar a diarreia ou os vómitos sem indicação médica.

A hidratação deve ser feita com pequenas quantidades de líquidos, de forma frequente. Quando há perdas importantes, as soluções de reidratação oral são geralmente a opção mais adequada.


Conclusão

A gastroenterite em férias é frequente, incómoda e pode estragar alguns dias de descanso. Na maioria das vezes melhora com medidas simples: hidratação, repouso, alimentação leve e vigilância.

O mais importante é prevenir a desidratação, evitar transmitir a infeção a outras pessoas e reconhecer sinais de alerta.

Antes de viajar, sobretudo para destinos mais quentes ou com maior risco sanitário, vale a pena preparar um pequeno kit de saúde e pedir aconselhamento na farmácia ou numa consulta do viajante.

Com alguns cuidados simples, é possível reduzir o risco e aproveitar as férias com mais segurança.


Fontes

Este artigo baseia-se em recomendações e informação de entidades nacionais e internacionais como SNS24, unidades do Serviço Nacional de Saúde, CUF, National Health Service (NHS), Centers for Disease Control and Prevention (CDC), CDC Travelers’ Health, CDC Yellow Book, World Health Organization (WHO) e literatura médica sobre gastroenterite aguda, diarreia do viajante, reidratação oral, segurança alimentar e prevenção de infeções gastrointestinais.

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